quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Shame In You


When I waken, and I'm achin', time for sleepin', yeah
When I'm sayin' time to go and, I've been hurtin', yeah
When I'm layin, I'm still tryin', concentrating on dyin', yeah

You're right as rain, but you're all to blame
Agreed my crime's the same
My sins I'll claim, give you back shed pain
Go find a place for own shame
So you can deal with this thing unreal
No one made you feel any hurt, yeah

Body's movin, only provin, no one needs to move
Still believin, yet mistaken, all God's children, yeah
And I must say, I was stupid, selfishly she consumed, yeah

And you must change patterns all we trained
Or n'er regain peace you seek
Now you hear me, for the things I see
Yeah, I believe in inner peace, yeah

Throw out, blow up, hold in
Show fine, no signs, grow blind

Layne Staley, Alice in Chains

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tributo à Ingratidão

"Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o Homem."
Mark Twain



"Aos incapazes de gratidão nunca faltam pretextos para não a ter."

Gustave Flaubert



"A gratidão tem memória curta."
Benjamim Constant



"A ingratidão é sempre uma forma de fraqueza. Nunca vi homens hábeis serem ingratos."
Johann Goethe

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

I ♥ Certeza

"Aquilo que os homens de facto querem não é o conhecimento, mas a certeza."

Bertrand Russell

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Careness

"A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas."

Sigmund Freud

Evitar o Sofrimento

"Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer."

Sigmund Freud

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quebramos os dois

Era eu a convencer-te de que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar p'ra esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal...
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxares-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.

Afinal...

Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois afinal,
Quebramos os dois...

É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.


Tiago Bettencourt, Toranja

As creepy as it sounds...


"Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti."

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"The struggle is not yet over"


"I had to pay heavily for this piece of good luck."

I've got the spirit, but lose the feeling...




I've been waiting for a guide to come and take me by the hand,
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?
These sensations barely interest me for another day,
I've got the spirit, lose the feeling, take the shock away.

It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, it's a no man's land,
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now,
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.

What means to you, what means to me, and we will meet again,
I'm watching you, I'm watching her, I'll take no pity from you friends,
Who is right, who can tell, and who gives a damn right now,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
I've got the spirit, but lose the feeling,
I've got the spirit, but lose the feeling,
Feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010


Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor da nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes é
necessário ser um.

Fernando Pessoa

Céu de Baunilha

"Every passing minute is another chance to turn it all around." 

"The sweet isn't as sweet without the sour."

"I'll see you in another life, when we are both cats."

Frases retiradas do filme Vanilla Sky

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


"A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero."

Henry David Thoreau

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Miss Misery


I'll fake it through the day
With some help from Johnny Walker Red
And the cold pain behind my eyes
That shoots back through my head
With two tickets torn in half
In a lot with nothing to do
But it's all right, because some enchanted night
I'll be with you

Tarot cards and the lines in my hand
Tell me I'm wrong, but they're untrue

I got plans for both of us
That involve a trip out of town
To a place I've seen in a magazine
That you left lying around
I can't hold my liquor but
I keep a good attitude
Because it's all right, some enchanted night
I'll be with you

And though you'd rather see me gone
Then to see there come the day
I'll be waiting for you anyway

Next door, the TV's flashing
Blue frames on the wall
Its a comedy from the seventies
With a lead no one recalls
He vanished into oblivion
It's easy to do
And I cried a sea when you talked to me
The day you said we were through
But it's all right, some enchanted night
I'll be with you

Elliott Smith

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


"O instinto serve melhor os animais do que a razão para o homem."

José Saramago

domingo, 28 de novembro de 2010

Oh me...


"Suportamos com mais resignação uma infelicidade que nos chega inteiramente do exterior do que uma cuja culpa caiba a nós mesmos."

Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dr. Love?


"Não quero que me ames por qualidades que poderias atribuir-me, nem, de resto, por qualidade alguma: é preciso que me ames sem razão, como amam sem razão todos os que se amam, simplesmente por que eu te amo, e sem que tenhas de te envergonhar por causa disso."

Carta de Sigmund Freud à sua esposa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Day One



Don't be sad for what will never be
Be glad you didn't have to see
This time became a part of me
And now this burning memory

The sun will break the night till dawn
And then we'll tell some tales again
And when the time has come and gone
The wind will carry on and on
The wind will carry on and on

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mal preparados...

"Que a educação actual oculte aos jovens o papel que a sexualidade virá a ter nas suas vidas, não é a única falha que podemos apontar. Peca além disso também por não os preparar para a agressividade de que eles necessariamente serão objecto. Ao deixar que a juventude saia para a vida com uma orientação psicológica tão incorrecta, a educação assemelha-se a alguém que equipasse os viajantes de uma expedição polar com roupas de Verão e mapas dos lagos no Norte de Itália. Nestas ocasiões, torna-se particularmente evidente um certo mau uso dos imperativos éticos. A sua severidade não seria demasiado prejudicial se aos jovens se ensinasse: «É assim que os homens devem agir para serem felizes e tornarem os outros felizes, mas é preciso esquecer que os homens não são assim.» Em vez disso, a educação actual leva os jovens a acreditar que todos os outros cumprem os imperativos éticos e que logo são pessoas virtuosas. É deste modo que se fundamenta a exigência de que também ele se torne virtuoso."

Sigmund Freud

domingo, 14 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Aweee"


"A objecção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia."

Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ah poisé...


"A ignorância gera mais frequentemente confiança do que o conhecimento: são os que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que afirmam de uma forma tão categórica que este ou aquele problema nunca será resolvido pela ciência."

Charles Darwin

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Where is my boy?
I saw you come out of a scene
Maybe in some kind of dream
Something that never comes

Time that I take...
See over in arms I'll raise
I'll race in to find you
I'll race in to find you

Time stands
I open your eyes to my world
I see you come out of it all
Unharmed and unscathed
And shouting, oh

Come on in
In houses I live in
And changes you're making
To the state of affairs

Calling “where is my boy?”
I have seen you so often
I cry “where is my boy?”
Oh, have you all forgotten?

And in some kind of dream
Have I seen you before
Oh, have I seen you before?
Oh, where is my boy?

So come all the way
Changing your number
Changing the house where you live
Change your lines

Have I seen you before?
In some kind of a dream?
In a place you've forgotten
A place I've forgotten

So where is my boy?
When I kneel in your arms
I flew awry
Where is my boy?

Have I seen you before?
In some kind of a dream?
Have I seen you before?
In some kind of a dream?

In my hands you’ll fall
Open in as it seems
Have I seen you before?

Oh baby, your arms and your legs are shattered
Where is my boy?
Where is my boy?

I said “where is my boy?”
Have you seen me before?
When I look in your eyes
Tell me “he had to go”

Said “I seen you before
In some kind of dream”
Seems I've seen you before
In some kind of a dream

I say “where is the boy?”
Have I seen you before?
Yeah, I saw you before
In some kind of a dream

I say “where was my head?
When I needed it most?”
Oh, I stayed here before
Yes I stay in the place I know.

Hard Work!


"Se o rumo dos interesses do homem não for definitivamente traçado por nenhum talento particular, a actividade profissional comum e acessível a todos pode cumprir a função indicada pelo sábio conselho de Voltaire. Numa síntese sumária como esta, não é possível realçar suficientemente a importância do trabalho na economia da libido. A única técnica para conduzir a própria vida capaz de estabelecer uma união forte entre o indivíduo e a realidade é aquela que insiste no trabalho, pois este tem pelo menos a virtude de inserir o indivíduo num segmento da realidade, numa comunidade humana. A possibilidade de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam elas narcisistas, agressivas ou mesmo eróticas, para a actividade profissional e para as relações humanas a ela associadas confere ao trabalho um valor não inferior à sua importância enquanto elemento indispensável para estabelecer e justificar a vida em sociedade. A actividade profissional proporciona particular satisfação se tiver sido livremente escolhida, ou seja, se através da sublimação for conferida utilidade a certas tendências já presentes e a certos impulsos instintivos persistentes ou reforçados pela constituição do indivíduo. E, no entanto, o trabalho é menosprezado enquanto via para a felicidade. A grande maioria dos homens trabalha apenas por obrigação, e esta aversão natural ao trabalho está na raiz de graves problemas sociais."

Sigmund Freud

sábado, 23 de outubro de 2010

Auto-Desprezo


"Quem se despreza a si próprio não deixa mesmo assim de se respeitar como desprezador."

Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Falsa Emancipação da Mulher


"Actualmente, tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar, apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas as funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm dela é sempre a mesma - um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da escravatura. A escravatura mais não é do que a exploração por uns do trabalho forçado da maioria. Assim, para que deixe de haver escravatura é necessário que os homens cessem de desejar usufruir o trabalho forçado de outrem e considerem semelhante coisa como um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma exterior da escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura está abolida mas não vêem, não querem ver que ela continua a existir porque as pessoas procedem sempre de maneira idêntica e consideram bom e equitativo aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso é julgado bom, torna-se inevitável que apareçam homens mais fortes ou mais astutos dispostos a passar à acção. A escravatura da mulher reside unicamente no facto de os homens desejarem e julgarem bom utilizá-la como instrumento de prazer. Hoje em dia, emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos iguais aos do homem, mas continua-se a considerá-la como um instrumento de prazer, a educá-la nesse sentido desde a infância e por meio da opinião pública. Por isso ela continua uma escrava, humilhada, pervertida, e o homem mantém-se um corruptor possuidor de escravos."

Leon Tolstoi

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Ciúme

"É inimaginável a desonra e a queda moral em que o ciumento pode viver, sem quaisquer remorsos. Mas não se pode dizer que todos os ciumentos sejam almas ordinárias e sujas. Pelo contrário, há-os de coração sublime e amor puro, cheio de abnegação mas que, ao mesmo tempo, podem esconder-se debaixo das mesas, subornar indivíduos infames e viver no meio da mais abominável porcaria de espionagem e espreita. (…) O verdadeiro ciumento é outra coisa: é difícil imaginar com que coisas é capaz de conviver e se resignar um certo tipo de ciumentos! São ciumentos que perdoam rapidamente, e todas as mulheres o sabem. Um ciumento pode perdoar muito rapidamente (depois de uma cena terrível, é óbvio), por exemplo, uma infidelidade já quase provada, os abraços e beijos que ele próprio já viu, no caso de, ao mesmo tempo, se convencer de algum modo de que «era a última vez» e que o seu rival, a partir desse momento, partiria, desapareceria para outro extremo do mundo, ou ele mesmo, o ciumento, levaria a mulher para um lugar onde ela não veria mais esse terrível rival. É evidente que se apazigua apenas por uma hora, porque, mesmo que o rival desapareça, o ciumento logo inventará outro e terá ciúmes dessoutro. Diremos: que interesse tem um amor que é preciso vigiar desta maneira, que valor tem, assim, o amor? Pois é exactamente isto que nunca o verdadeiro ciumento compreenderá, apesar de, entre essa gente, existirem pessoas com corações sublimes."

Fiodor Dostoievski, Os irmãos Karamazov

domingo, 3 de outubro de 2010

There will never be a better time...


"Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste."
Sigmund Freud

Posse


"O instinto de amar um objecto demanda a destreza em obtê-lo, e se uma pessoa pensar que não consegue controlar o objecto e se sentir ameaçado por ele, ela age contra ele."

Sigmund Freud

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Os Sonhadores


"E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honráveis sentimentos... não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?"

"[...] nos caracteres ansiosos de actividade, mas fracos, femininos, ternos, nasce a pouco e pouco aquilo a que se chama «sonhadorismo», e o homem deixa de ser homem, torna-se numa espécie esquisita… — o sonhador […] A realidade produz no coração do sonhador uma impressão grave, hostil, e então apressa-se a meter-se no seu cantinho secreto e dourado, que na realidade é, não raro, poeirento, desmazelado, desarrumado e porco. A pouco e pouco, o nosso rebelde começa a alienar-se dos interesses comuns e, gradualmente, imperceptivelmente, começa a embotar-se nele o talento de viver na vida real"

Fiodor Dostoievski

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Espírito Livre, um conceito relativo...


"Chama-se «espírito livre» àquele que pensa de forma diferente do que se espera dele, em virtude da sua origem, do seu meio, da sua posição e do seu ofício, ou em virtude dos pontos de vista dominantes da época. Ele é a excepção, os espíritos subordinados são a regra; estes censuram-no por os seus princípios livres ou terem a sua origem na mania de se fazer notar ou até permitirem chegar a acções livres, isto é, a actos que são inconciliáveis com a moral estrita. De vez em quando, também se diz que estes ou aqueles princípios livres seriam derivados de excentricidade e exaltação do espírito; no entanto, só fala assim a maldade, que não acredita ela própria no que diz, mas quer prejudicar com isso: pois o testemunho da superior bondade e perspicácia da sua inteligência está geralmente escrito no rosto do espírito livre de forma tão legível que os espíritos subordinados o compreendem bastante bem. Mas as outras derivações do livre-pensamento são honestamente mencionadas; de facto, muitos espíritos livres até nascem de uma ou de outra maneira. Apesar disso, porém, as teses, a que eles chegaram por essas vias, poderiam ser mais verdadeiras e mais fidedignas do que as dos espíritos subordinados. Tratando-se do conhecimento da verdade, o que importa é tê-lo, não por que motivo se o procurou, por que via se o encontrou. Se os espíritos livres têm razão, então não têm razão os espíritos subordinados, independentemente de os primeiros terem chegado à verdade por imoralidade, de os outros, por moralidade, terem ficado até agora agarrados à falsidade. De resto, não faz parte da essência do espírito livre que ele tenha maneiras de ver mais acertadas, mas antes que ele se tenha desligado do que é tradicional, quer seja com êxito ou com um malogro. Em geral, contudo ele terá do seu lado a verdade ou, pelo menos, o espírito da busca da verdade: ele exige razões, os outros, crenças."

Friedrich Nietzsche

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vida fácil? Pff...


"E, no entanto, se todos os desejos fossem satisfeitos logo que despertados, como os homens ocupariam a vida, como passariam o tempo? Imaginem essa corrida transportada para uma Utopia em que tudo crescesse por sua própria vontade e os perus assados passassem de um lado para o outro, onde os amantes se encontrassem sem demora e se mantivessem juntos sem dificuldades: em um lugar assim, alguns homens morreriam de tédio ou se enforcariam, alguns brigariam e matariam uns aos outros, e, portanto, criariam mais sofrimento para si mesmos do que a natureza lhes inflige assim como é."
Arthur Schopenhauer

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ignorância

"Quem não sabe nada tem de acreditar em tudo"
Jan Neruda

Desaparecimento da Amizade

"Se a todos fosse dado o poder mágico de ler os pensamentos dos outros, suponho que o primeiro resultado seria o desaparecimento de toda a amizade."
Bertrand Russell

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Culpa

A minha consciência tem milhares de vozes,
E cada voz traz-me milhares de histórias,
E de cada história sou o vilão condenado.
William Shakespeare

Fraqueza...

"Estou firmemente convencido que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza."
Mahatma Ghandi

domingo, 13 de junho de 2010

Máscaras


"Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras. É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mas precisamente eles são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre."

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Méé! Méé!


"Nada é mais repugnante do que a maioria, pois ela compõe-se de uns poucos antecessores enérgicos; velhacos que se acomodam; de fracos, que se assimilam, e da massa que vai atrás de rastros, sem nem de longe saber o que quer."
Johann Goethe

terça-feira, 8 de junho de 2010

O Pai


"Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai.
"
Sigmund Freud

domingo, 16 de maio de 2010

Indiferença...


"E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam..."

Shakespeare

segunda-feira, 22 de março de 2010

100 dias, 100 noites

"Era uma vez um rei que fez uma festa na qual estavam as princesas mais bonitas do reino. Um soldado que estava de guarda viu passar a filha do rei. Era a mais bonita de todas, e ficou logo apaixonado, mas o que podia fazer um pobre soldado em relação à filha do rei? Por fim, um dia conseguiu encontrá-la e disse-lhe que não podia viver sem ela. A princesa ficou tão comovida por aquele forte sentimento que disse ao soldado: “Se conseguir esperar 100 dias e 100 noites debaixo da minha janela, acabarei por ser sua”. O soldado foi de imediato para lá e esperou um dia, dois dias, dez, e depois vinte. E todas as noite, a princesa controlava pela janela, mas ele nunca se movia. Podia chover, fazer vento, nevar, que ele continuava lá. Os pássaros sujavam-no, as abelhas comiam-no vivo, mas ele não se movia. Depois de 90 noites, estava emagrecido, esbranquiçado, as lágrimas caíam-lhe rosto abaixo sem que ele pudesse segurá-las porque nem forças para dormir ele tinha. Entretanto, a princesa observava-o. E na 99ª noite, o soldado levantou-se, pegou na sua cadeira e foi-se embora."

História contada no filme "Cinema Paraíso"

Alice

Agora que o sonho acabou,
A sua existência terminou.
Jaz agora sepultada
a criança que nunca nasceu.

Invade-me uma nostalgia
de um desejo paterno,
de ter nos braços o produto da
combinação perfeita de dois seres que se amam
(ou amavam?)

Vejo-a agora pálida e fria...
Ela já não brinca,
Ela já não chama por mim
Pois eu já não o seu pai...
O pai? Será outro!

Que fazes tu aí dentro,
cercada por essas quatro paredes de madeira?
Anda para dentro, não te quero doente!
Oh, mas tu já estás morta!
Abraçada à relação perfeita,
que em tempos existiu,
no teu leito de morte.

Já não sou o teu pai, Alice, já não sou o teu pai...

domingo, 21 de março de 2010

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

Eugénio de Andrade

A Moral como Contra-Natureza VI

"Consideremos ainda, por último, que ingenuidade é dizer: "o homem deveria ser deste ou daquele modo!" A realidade mostra-nos uma riqueza fascinante de tipos, a exuberância própria de um pródigo jogo e mudança de formas: e qualquer pobre moço de esquina de moralista diz a isto: "não!, o homem deveria ser de outro modo"?... Ele sabe mesmo como deveria ser ele, esse mentecapto e hipócrita, pinta-se a si mesmo na parede e diz ecce homo!... Porém, mesmo quando o moralista se dirige simplesmente ao indivíduo e lhe diz: "tu deverias ser deste e daquele modo!", não deixa de se pôr a ridículo. O indivíduo é, de cima a baixo, um fragmento de fatum, mais uma lei, mais uma necessidade para tudo o que vem e será. Dizer-lhe "modifica-te" significa procurar que se modifiquem todas as coisas, mesmo as passadas... E, realmente, houve moralistas consequentes, eles quiseram o homem de outro modo, quer dizer, virtuoso, quiseram-no à sua imagem, ou seja, como um beato: para isso negaram o mundo! Um disparate nada pequeno! Uma espécie nada modesta de imodéstia!... A moral, na medida em que condena por si, não devido a atenções, considerações, intenções próprias da vida, é um erro específico com o qual não se deve ter compaixão alguma, uma idiossincrasia de degenerados, que produziu um dano indescritível!... Nós que somos diferentes, nós os imoralistas, temos aberto, pelo contrário, o nosso coração a toda a espécie de intelecção, compreensão, aprovação. Não se nos afigura fácil negar, procuramos a nossa honra em sermos afirmativos. Vão-se-nos abrindo cada vez mais olhos para ver aquela economia que necessita e sabe aproveitar ainda tudo aquilo que é recusado pelo santo desatino do sacerdote, pela razão enferma do sacerdote, para ver aquela economia que rege a lei da vida, a qual obtém proveito mesmo da repugnante species do beato, do sacerdote, do virtuoso, - que proveito? - Mas nós próprios, os imoralistas, somos aqui a resposta..."

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

A Moral como Contra-Natureza V

"Supondo que se tenha compreendido o carácter delituoso de tal rebelião contra a vida, rebelião que se tornou quase sacrossanta no moral cristã, com isso se compreendeu também, por sorte, outra coisa: o carácter inútil, ilusório, absurdo, mentiroso de tal rebelião. Uma condenação da vida por parte do vivente não deixa de ser, em última instância, mais que o sintoma de uma espécie determinada de vida: a questão de essa condenação ser justa ou injusta não é suscitada de modo algum com isso. Seria necessário estar situado fora da vida, e, por outro lado, conhecê-la tão bem como um, como muitos, como todos os que a viveram, para que fosse lícito tocar no problema do valor da vida enquanto tal: razões suficientes para compreender que o problema nos é inacessível. Quando falamos de valores, fazemo-lo sob a inspiração, sob a óptica da vida: a própria vida é que nos constrange a estabelecer valores, a própria vida é que valoriza através de nós quando estabelecemos valores... Daqui resulta que também aquela contranatureza feita moral que concebe Deus como conceito antitético e com condenação da vida é apenas uma juízo de valor da vida - de que vida?, de que espécie de vida? - Mas já dei a resposta: da vida descendente, debilitada, fatigada, condenada. A moral tal como tem sido entendida até agora - tal como tem sido formulada ainda ultimamente por Schopenhauer, como "negação da vontade de vida" - é o próprio instinto de décadence, que faz de si um imperativo: essa moral diz: "perece!" - é o juízo dos já condenados..."

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

A Moral como Contra-Natureza IV

"Vou reduzir a fórmula a um princípio. Todo o naturalismo tem moral, quero dizer, toda a moral sã está regida por um instinto da vida, - um mandamento qualquer da vida é cumprido com um certo cânone de "deves" e "não deves", um obstáculo e uma inimizade qualquer no caminho da vida ficam com isso eliminados. A moral contranatural, ou seja, quase toda a moral até agora ensinada, venerada e pregada, dirige-se, pelo contrário, precisamente contra os instintos da vida, - é uma condenação, por vezes encoberta, por vezes ruidosa e insolente, desses instintos. Ao dizer "Deus lê nos corações", a moral diz não aos apetites mais baixos e mais altos da vida e considera Deus inimigo da vida... O santo para quem Deus tem a sua complacência é o castrado ideal... A vida acaba onde começa o "reino de Deus"..."

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

A Moral como Contra-Natureza III

"A espiritualização da sensualidade chama-se amor: ela é um grande triunfo sobre o cristianismo. Outro triunfo é a nossa espiritualização da inimizade. Consiste em compreender profundamente o valor que possui o ter inimigos: dito brevemente, em proceder a extrair conclusões ao inverso de como se procedia e extraía conclusões noutro tempo. A Igreja quis sempre a aniquilação dos seus inimigos: nós, nós os imoralistas e anticristãos, vemos a nossa vantagem em que a Igreja subsista. Também no âmbito político a inimizade se tornou agora mais espiritual, - muito mais inteligente, muito mais reflexiva, muito mais indulgente. Quase todos os partidos se dão conta de que para a sua própria autoconservação lhes interessa que o partido oposto não perca forças; o mesmo se deve dizer para a grande política. Especialmente uma criação nova, por exemplo o novo Reich, tem uma maior necessidade de inimigos que de amigos: só na antítese se sente necessário, só na antítese chega a tornar-se necessário... Não nos comportamos de outro modo com o nosso "inimigo interior": também aqui temos espiritualizado a inimizade, também aqui temos compreendido o seu valor. Só se é fecundo pelo preço de ser rico em contradições; só se permanece jovem na condição de que a alma não se relaxe, não deseje a paz... Nada se nos tornou mais estranho que aquela aspiração de outrora, a aspiração à "paz de espírito", a aspiração cristã; nada nos causa menos inveja do que a moral ruminante e a sebosa felicidade da consciência tranquila. Renunciou-se à vida grande quando se renunciou à guerra... Em muitos casos, desde logo, a "paz de espírito" não é mais do que um mal-entendido, outra coisa, a que unicamente não se sabe atribuir um nome mais honrado. Sem divagações nem preconceitos aqui temos uns quantos casos. "Paz de espírito" pode ser, por exemplo, a plácida projecção de uma animalidade rica no terreno moral (ou religioso). Ou o começo da fadiga, a primeira sombra que traz o crepúsculo, qualquer espécie de crepúsculo. Ou um sinal de que o ar está húmido, de que se aproximam ventos do Sul. Ou o agradecimento, sem se o saber, por uma digestão feliz (chamado às vezes "filantropia"). Ou a calma do convalescente, para o qual todas as coisas têm um sabor e que está à espera... Ou o estado que se segue a uma intensa satisfação da nossa paixão dominante, o sentimento de bem-estar próprio de uma saciedade rara. Ou a debilidade senil da nossa vontade, dos nossos apetites, dos nossos vícios. Ou a preguiça, persuadida pela vaidade a ataviar-se com adornos morais. Ou o advento de uma certeza, mesmo de uma certeza terrível, após uma tensão e tortura prolongadas devidas à incerteza. Ou a expressão da maturidade e a mestria na actividade, no criar, agir, querer, a respiração tranquila, a alcançada "liberdade da vontade"... Crepúsculo dos Ídolos: quem sabe, talvez também unicamente uma espécie de "paz de espírito"..."

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

A Moral como Contra-Natureza II

"Esse mesmo remédio, a castração, o extermínio, é escolhido instintivamente, na luta contra um desejo, pelos que são mais débeis, pelos que estão demasiado degenerados para poderem impor-se moderação nesse desejo: por aquelas naturezas que, para falar em matáfora (e sem metáfora -), têm necessidade de la Trappe, de alguma declaração definitiva de inimizade, de um abismo entre elas e uma paixão. Os meios radicais afiguram-se indispensáveis tão-só aos degenerados; a debilidade da vontade, ou, dito com mais exactidão, a incapacidade de não reagir a um estímulo é simplesmente outra forma de degenerescência. A inimizade radical, o ódio mortal contra a sensualidade não deixa de ser um sintoma que induz a reflectir: ele autoriza a fazer conjecturas sobre a saúde mental de quem comete tais excessos. - Essa hostilidade, esse ódio chega ao seu cúmulo, além disso, só quando tais naturezas não têm já firmeza bastante para a cura radical, para renunciar ao seu "demónio". Deite-se um olhar para a história inteira dos sacerdotes e filósofos, não esquecendo a dos artistas: as coisas mais venenosas contra os sentidos não foram ditas pelos impotentes, tão-pouco pelos ascetas, mas sim pelos ascetas impossíveis, por aqueles que teriam necessitado de ser ascetas..."

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

sábado, 20 de março de 2010

A Moral como Contra-Natureza I


"Todas as paixões têm uma época em que são meramente nefastas, durante a qual, com o peso da estupidez, arrastam as suas vítimas para uma depressão - e uma época mais tardia muito posterior, na qual desposam o espírito, na qual se "espiritualizam". Noutro tempo movia-se guerra à própria paixão, por causa da estupidez nela existente: as pessoas conjuravam-se para aniquilá-la, - todos os velhos monstros da moral coincidem unanimemente em que il faut tuer les passions. A fórmula mais célebre desta ideia encontra-se no Novo Testamento, naquele Sermão da Montanha, na qual, diga-se de passagem, as coisas não são consideradas de modo algum desde as alturas. Nele se diz, por exemplo, aplicando na prática à sexualidade, "se o teu olho te escandaliza, arranca-o" por sorte nenhum cristão actua de acordo com esse preceito. Aniquilar as paixões e apetites meramente para prevenir a sua estupidez e as consequências desagradáveis desta é algo que hoje nos aparece simplesmente como uma forma aguda de estupidez. Já não admiramos os dentistas que extraem os dentes para que não continuem a doer... Com certa equidade concedamos, por outro lado, que o conceito "espiritualização da paixão" não podia ser concebido de forma alguma no terreno de que brotou o cristianismo. A igreja primitiva lutou, com efeito, como é sabido, contra os "inteligentes" em favor dos "pobres de espírito": como esperar dela uma guerra inteligente contra a paixão? - A Igreja combate a paixão com a extirpação, em todos os sentidos da palavra: a sua medicina, a sua "cura" é a castração. Não pergunta nunca: "Como espiritualizar, embelezar, divinizar um apetite?" - ela sempre carregou o acento da disciplina no extermínio (da sensualidade, do orgulho, da vontade de poder, da ânsia de posse, do desejo de vingança). - Porém atacar as paixões na sua raiz significa atacar a vida na sua raiz: a praxis da Igreja é hostil à vida...

Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Heráclito Português


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Esprit Fort"


Comparado com a aquele que tem a tradição do seu lado e não precisa de razões para o seu procedimento, o espírito livre é sempre fraco, nomeadamente na maneira de agir; pois conhece demasiados motivos e pontos de vista e tem, por isso, uma mão insegura, mal exercitada. Ora, que meios há para o fazer, contudo, relativamente forte, de modo que ele ao menos se imponha e não pereça sem produzir efeito? Como surge o espírito forte (esprit fort)? Esta é, num único caso, a questão de produção do génio. Donde vêm a energia, a força inexorável, a persistência, com as quais o indivíduo, opondo-se ao costume, tenta obter um conhecimento inteiramente individual do mundo?
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 8 de março de 2010

...


"O Inferno são os outros."
Jean-Paul Sartre

Freud


"Fui um homem afortunado; na vida nada me foi fácil."

Sigmund Freud

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fragilidade


"Fragilidade, o teu nome é mulher!"
William Shakespeare

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

Tradição


"A tradição é a personalidade dos imbecis."
Albert Einstein

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A solidão no génio


"O génio é como a águia: quanto mais se eleva menos visível se torna, e vê castigada a sua grandeza pela solidão em que se lhe encontra a alma."

Jean Racine


Boa companhia?

"Às vezes penso que sou a pessoa mais solitária do mundo. A minha solidão não depende da presença ou ausência de pessoas, pelo contrário, odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia!"

Nietzsche

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Falsidade na Mulher

"A dissimulação é inata na mulher, na mais esperta como na mais tola. É-lhe tão natural usá-la todas as ocasiões como um animal atacado defender-se com as suas armas naturais; e, procedendo assim, até certo ponto tem consciência dos seus direitos, o que torna quase impossível encontrar-se uma mulher totalmente verdadeira e sincera."

Schopenhauer

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Love


Love is... going undercover

domingo, 10 de janeiro de 2010

Felicidade


"A felicidade só é real quando compartilhada"
Chris McCandless

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

24 de Janeiro de 1915

As dificuldades que sinto ao falar, certamente incríveis para outros, derivam do facto de que o meu pensamento ou antes o conteúdo da minha consciência é absolutamente nebuloso, se bem que nele repouse, tranquilo e satisfeito comigo, enquanto uma conversação humana exige minúcia, consciência e um encadeamento perpétuo. Todas as coisas que não existem de maneira nenhuma em mim. Ninguém consentirá em ficar comigo nas nuvens e mesmo se o consentisse eu não poderia apesar disso espalhar a bruma para fora da minha cabeça, entre dois seres humanos ela evapora-se e não é nada.

Franz Kafka

Crença

"A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê"

Nietzsche

Busca

"Descobrir profundidade em tudo, eis uma qualidade incómoda: faz com que se gastem incessantemente os olhos e que por fim se encontre sempre mais do que aquilo que se desejava."

Friedrich Nietzsche (para variar)

Compromisso

"É a pior das coisas, o compromisso, liberdade que a nós próprios negámos"
Ricardo Reis

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Vida

«Vivemos como sonhamos - sozinhos.»
Joseph Conrad, O Coração das Trevas