domingo, 28 de novembro de 2010

Oh me...


"Suportamos com mais resignação uma infelicidade que nos chega inteiramente do exterior do que uma cuja culpa caiba a nós mesmos."

Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dr. Love?


"Não quero que me ames por qualidades que poderias atribuir-me, nem, de resto, por qualidade alguma: é preciso que me ames sem razão, como amam sem razão todos os que se amam, simplesmente por que eu te amo, e sem que tenhas de te envergonhar por causa disso."

Carta de Sigmund Freud à sua esposa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Day One



Don't be sad for what will never be
Be glad you didn't have to see
This time became a part of me
And now this burning memory

The sun will break the night till dawn
And then we'll tell some tales again
And when the time has come and gone
The wind will carry on and on
The wind will carry on and on

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mal preparados...

"Que a educação actual oculte aos jovens o papel que a sexualidade virá a ter nas suas vidas, não é a única falha que podemos apontar. Peca além disso também por não os preparar para a agressividade de que eles necessariamente serão objecto. Ao deixar que a juventude saia para a vida com uma orientação psicológica tão incorrecta, a educação assemelha-se a alguém que equipasse os viajantes de uma expedição polar com roupas de Verão e mapas dos lagos no Norte de Itália. Nestas ocasiões, torna-se particularmente evidente um certo mau uso dos imperativos éticos. A sua severidade não seria demasiado prejudicial se aos jovens se ensinasse: «É assim que os homens devem agir para serem felizes e tornarem os outros felizes, mas é preciso esquecer que os homens não são assim.» Em vez disso, a educação actual leva os jovens a acreditar que todos os outros cumprem os imperativos éticos e que logo são pessoas virtuosas. É deste modo que se fundamenta a exigência de que também ele se torne virtuoso."

Sigmund Freud

domingo, 14 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Aweee"


"A objecção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia."

Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ah poisé...


"A ignorância gera mais frequentemente confiança do que o conhecimento: são os que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que afirmam de uma forma tão categórica que este ou aquele problema nunca será resolvido pela ciência."

Charles Darwin

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Where is my boy?
I saw you come out of a scene
Maybe in some kind of dream
Something that never comes

Time that I take...
See over in arms I'll raise
I'll race in to find you
I'll race in to find you

Time stands
I open your eyes to my world
I see you come out of it all
Unharmed and unscathed
And shouting, oh

Come on in
In houses I live in
And changes you're making
To the state of affairs

Calling “where is my boy?”
I have seen you so often
I cry “where is my boy?”
Oh, have you all forgotten?

And in some kind of dream
Have I seen you before
Oh, have I seen you before?
Oh, where is my boy?

So come all the way
Changing your number
Changing the house where you live
Change your lines

Have I seen you before?
In some kind of a dream?
In a place you've forgotten
A place I've forgotten

So where is my boy?
When I kneel in your arms
I flew awry
Where is my boy?

Have I seen you before?
In some kind of a dream?
Have I seen you before?
In some kind of a dream?

In my hands you’ll fall
Open in as it seems
Have I seen you before?

Oh baby, your arms and your legs are shattered
Where is my boy?
Where is my boy?

I said “where is my boy?”
Have you seen me before?
When I look in your eyes
Tell me “he had to go”

Said “I seen you before
In some kind of dream”
Seems I've seen you before
In some kind of a dream

I say “where is the boy?”
Have I seen you before?
Yeah, I saw you before
In some kind of a dream

I say “where was my head?
When I needed it most?”
Oh, I stayed here before
Yes I stay in the place I know.

Hard Work!


"Se o rumo dos interesses do homem não for definitivamente traçado por nenhum talento particular, a actividade profissional comum e acessível a todos pode cumprir a função indicada pelo sábio conselho de Voltaire. Numa síntese sumária como esta, não é possível realçar suficientemente a importância do trabalho na economia da libido. A única técnica para conduzir a própria vida capaz de estabelecer uma união forte entre o indivíduo e a realidade é aquela que insiste no trabalho, pois este tem pelo menos a virtude de inserir o indivíduo num segmento da realidade, numa comunidade humana. A possibilidade de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam elas narcisistas, agressivas ou mesmo eróticas, para a actividade profissional e para as relações humanas a ela associadas confere ao trabalho um valor não inferior à sua importância enquanto elemento indispensável para estabelecer e justificar a vida em sociedade. A actividade profissional proporciona particular satisfação se tiver sido livremente escolhida, ou seja, se através da sublimação for conferida utilidade a certas tendências já presentes e a certos impulsos instintivos persistentes ou reforçados pela constituição do indivíduo. E, no entanto, o trabalho é menosprezado enquanto via para a felicidade. A grande maioria dos homens trabalha apenas por obrigação, e esta aversão natural ao trabalho está na raiz de graves problemas sociais."

Sigmund Freud