segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ser-se Moderno


"Ser-se moderno é encontrarmo-nos num ambiente que nos prometa aventura, poder, alegria, desenvolvimento, transformação de nós próprios e do mundo, e, ao mesmo tempo, que ameaça destruir tudo o que possuímos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. Ambientes e experiências modernas trespassam todos os limites geográficos e de etnicidade, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: neste sentido, modernidade pode ser dita como forma de unir o ser humano. Mas é uma união paradoxal, uma união de desunião: derrama-nos a todos num turbilhão de desintegração e renovação perpétuas, de luta e contradição, de ambiguidade e de angústia."

Marshall Berman, Tudo o que é sólido se dissolve no ar

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Prefácio de "O Anticristo"


"Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu “Zaratustra”: como eu poderia misturar−me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? – Somente os dias vindouros me pertencem. Há homens que nascem póstumos.
As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço−as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto−reverência, amor−próprio, absoluta liberdade para consigo...
Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar−se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo..."

Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 18 de abril de 2011


E sou já do que fui tão diferente
Que, quando por meu nome alguém me chama,
Pasmo, quando conheço
Que ainda comigo mesmo me pareço.

Luís Vaz de Camões

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um Mau Negócio

"O sexo feminino exige e espera do masculino tudo, exactamente tudo o que deseja e de que necessita. O masculino exige do feminino, em primeiro lugar e imediatamente, uma única coisa. Por essa razão, foi necessário estabelecer a convenção de que o sexo masculino só pode obter do feminino aquela única coisa se, em troca, cuidar de todas as outras, além dos filhos nascidos da união. Nessa convenção baseia-se o bem-estar de todo o sexo feminino."

Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 16 de março de 2011

Livre-arbítrio?


"Não creio, no sentido filosófico do termo, na liberdade do homem. Todos agem não apenas sob um constrangimento exterior mas também de acordo com uma necessidade interior."

Albert Einstein

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fórmula do Céptico

"Quando por acaso a verdade conseguiu vencer, perguntai a vós próprios com uma forte desconfiança: «Que poderoso erro se bateu por ela?»."

Friedrich Nietzsche

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O amor romântico


"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura por eles vestida."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego