"Se o rumo dos interesses do homem não for definitivamente traçado por nenhum talento particular, a actividade profissional comum e acessível a todos pode cumprir a função indicada pelo sábio conselho de Voltaire. Numa síntese sumária como esta, não é possível realçar suficientemente a importância do trabalho na economia da libido. A única técnica para conduzir a própria vida capaz de estabelecer uma união forte entre o indivíduo e a realidade é aquela que insiste no trabalho, pois este tem pelo menos a virtude de inserir o indivíduo num segmento da realidade, numa comunidade humana. A possibilidade de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam elas narcisistas, agressivas ou mesmo eróticas, para a actividade profissional e para as relações humanas a ela associadas confere ao trabalho um valor não inferior à sua importância enquanto elemento indispensável para estabelecer e justificar a vida em sociedade. A actividade profissional proporciona particular satisfação se tiver sido livremente escolhida, ou seja, se através da sublimação for conferida utilidade a certas tendências já presentes e a certos impulsos instintivos persistentes ou reforçados pela constituição do indivíduo. E, no entanto, o trabalho é menosprezado enquanto via para a felicidade. A grande maioria dos homens trabalha apenas por obrigação, e esta aversão natural ao trabalho está na raiz de graves problemas sociais."
Sigmund Freud
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