quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Início


"Aos trinta anos, Zaratustra deixou a sua terra natal e o lago da sua Terra e subiu para a montanha. Aí desfrutou do seu espiríto e da sua solidão e durante dez anos não sentiu fadiga. Mas por fim o seu coração transformou-se - e em certa manhã levantou-se antes da aurora, colocou-se diante do Sol e falou-lhe deste modo:
- Ó grande astro! Que seria de ti se não tivesses aqueles a quem iluminas!
Ao longo de dez anos vieste até à minha caverna: sem mim, sem a minha águia e sem a minha serpente sentir-te-ias triste e cansado da tua luz e deste caminho.
Mas nós estávamos todas as manhãs à tua espera, recebíamos o que para ti era supérfulo e davámos graças por isso.
Pois bem! Tal como a abelha que fabricou demasiado mel, sinto-me triste e cansado com a minha sabedoria, tenho necessidade de mãos que para mim se estendam.
Desejaria dar e distribuir até ao ponto de os sábios entre os homens se tornarem alegres com a sua loucura e os pobres satisfeitos com a sua riqueza.
Esta razão que me obriga a descer às profundezas: da mesma maneira que à tarde tu passas para além do mar levando ainda a tua luz ao mundo dos abismos, ó astro superabundante!
Como tu, também eu preciso de descer, segundo a lingagem dos homens que quero ir encontrar.
Abençoa-me, pois, olho manso, que podes até sem inveja ver uma felicidade demasiado grande!
Abençoa a taçã que quer transbordar, para que a sua água, correndo em ondas douradas, leve a toda a parte o reflexo da tua alegria!
Olha! Esta taça quer voltar a esvaziar-se e Zaratustra quer voltar a ser homem.

Assim começou o declínio de Zaratustra."

Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra


Eis o ponto de partida de Assim Falava Zaratustra... assim como o do meu blog...

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