
"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura por eles vestida."
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
2 comentários:
É impressionante a quantidade de vezes em que os humanos se apaixonam pela imagem que criam do objecto de amor. O objecto em si de pouco lhes serve, é apenas o molde onde descansam as suas preces. E o que poderá ser mais forte do que a imagem das nossas preces? E assim este amor dura enquanto duram...
Ora nem mais, senhor(a) Anónimo. E muitos deles duram até ao momento em que tiram a capa da imagem das preces, ou seja, que o amor deixa de ser cego. E existiria amor sem essa cegueira? Não me parece... a cegueira é uma necessidade do amor para que ele exista, e não uma característica deste... Pelo menos é o que me parece.
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