sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O amor romântico


"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura por eles vestida."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

2 comentários:

Anônimo disse...

É impressionante a quantidade de vezes em que os humanos se apaixonam pela imagem que criam do objecto de amor. O objecto em si de pouco lhes serve, é apenas o molde onde descansam as suas preces. E o que poderá ser mais forte do que a imagem das nossas preces? E assim este amor dura enquanto duram...

O Homem Ridículo disse...

Ora nem mais, senhor(a) Anónimo. E muitos deles duram até ao momento em que tiram a capa da imagem das preces, ou seja, que o amor deixa de ser cego. E existiria amor sem essa cegueira? Não me parece... a cegueira é uma necessidade do amor para que ele exista, e não uma característica deste... Pelo menos é o que me parece.